O iFood cobra entre 12% e 27% de comissão por pedido, mais a taxa de anúncio se você usar o perfil patrocinado. Em muitos restaurantes, a comissão do iFood é a segunda ou terceira maior despesa do negócio — atrás só do custo de alimentos e da mão de obra.
Mas desligar do iFood da noite para o dia não é uma estratégia — é um salto no escuro. A saída inteligente é construir o canal próprio em paralelo e migrar os clientes aos poucos, especialmente os recorrentes, que já confiam em você e não precisam do iFood para te encontrar.
Diagnóstico: o quanto você depende do iFood?
- Mais de 70% dos pedidos vêm do iFood? Você está em situação de risco. Uma mudança de algoritmo ou de comissão pode cortar seu faturamento em dias.
- Entre 40% e 70%? Você usa bem o iFood, mas ainda tem gordura para cortar. Começar a construir o canal próprio agora vai mudar o cenário em 60-90 dias.
- Menos de 40%? Você já tem uma operação mais saudável. O iFood é um canal de aquisição para você, não o sustento do negócio.
Por onde começar: o sistema primeiro
Antes de comunicar o canal próprio para qualquer cliente, você precisa ter o sistema funcionando. Se o cliente clicar no link e encontrar um cardápio incompleto, sem foto, sem taxa de entrega configurada — ele vai voltar para o iFood e não tentar de novo.
- Configure o cardápio completo com fotos e preços atualizados
- Defina as faixas de taxa de entrega por raio
- Configure pelo menos PIX e cartão de crédito como formas de pagamento
- Teste fazendo um pedido você mesmo para verificar o fluxo completo
- Só depois de tudo funcionando, comece a divulgar
A estratégia de migração em 4 movimentos
- Movimento 1 — QR code na embalagem. Cada pedido que sai do iFood carrega uma embalagem com QR code e oferta: "Próximo pedido direto: 10% de desconto." Custo: centavos por pedido. Resultado: clientes frequentes começam a migrar nas primeiras semanas.
- Movimento 2 — Post no Instagram explicando o benefício. Não precisa ser elaborado. "Você sabia que pode pedir direto pelo nosso link e economizar na entrega? [link na bio]". Poste pelo menos uma vez por semana nas primeiras 4 semanas.
- Movimento 3 — Cupom de boas-vindas exclusivo para o canal próprio. Configure um cupom de R$ 10 a R$ 15 de desconto válido no primeiro pedido pelo canal direto. É o custo de aquisição do cliente no seu canal — muito menor do que a comissão de vários pedidos futuros.
- Movimento 4 — Programa de fidelidade exclusivo. Acúmulo de selos ou cashback só para quem pede pelo canal próprio. O cliente que pede pelo iFood não acumula — o incentivo é sempre para o canal direto.
Para clientes frequentes que você tem contato direto: "Oi [nome]! Abrimos nosso canal de pedidos direto e você foi um dos primeiros a ganhar um cupom exclusivo. Peça pelo link abaixo e ganhe R$ 10 de desconto: [link]. Qualquer dúvida, é só chamar!"
O que esperar nos primeiros 90 dias
- Semana 1-2: poucas conversões, mas o QR code começa a circular. Clientes frequentes que recebem o cupom costumam testar.
- Mês 1: 5% a 15% dos pedidos recorrentes migram para o canal próprio. O efeito parece pequeno, mas já é comissão economizada.
- Mês 2-3: clientes que pediram pelo canal próprio voltam pelo canal próprio — porque têm selos acumulando. O canal começa a ter ritmo próprio.
- Mês 3+: dependendo do volume, você pode começar a reduzir o investimento em anúncio no iFood — porque parte da demanda já vem pelo canal próprio sem custo adicional.
O que não funciona
- Fechar o iFood abruptamente. Você vai perder receita antes do canal próprio compensar.
- Divulgar o canal só uma vez. A comunicação precisa ser constante nas primeiras semanas.
- Oferecer a mesma experiência nos dois canais. Se pedir pelo iFood e pelo canal próprio é igual, o cliente fica onde está. O canal próprio precisa ter vantagem clara.
- Não ter sistema automatizado. Gerenciar o programa de fidelidade no papel não escala. Você abandona o programa em 2 semanas.
Migrar 30% dos pedidos recorrentes para o canal próprio em 90 dias já representa uma redução significativa de comissão. Para um restaurante que faz R$ 15.000/mês no iFood com 20% de comissão, 30% de migração = R$ 900/mês de economia. Em 12 meses, são R$ 10.800 no caixa.
Reduzir dependência do iFood é uma maratona, não uma sprint. Comece com o sistema no ar, coloque o QR code na próxima embalagem e comunique o cupom de boas-vindas para seus clientes mais frequentes. A migração acontece aos poucos — mas cada pedido que passa para o canal próprio é uma comissão que fica no seu caixa para sempre.
Perguntas frequentes
Possível sim, mas para a maioria dos restaurantes não é a estratégia mais inteligente. O iFood continua sendo útil para aquisição de clientes novos — especialmente se você está em um bairro que o seu público frequenta no app. O objetivo é reduzir a dependência, não desaparecer da plataforma. Quando 30-40% dos pedidos já vêm pelo canal próprio, a pressão da comissão cai significativamente.
Não automaticamente. Você precisa comunicar ativamente. QR code na embalagem, post no Instagram, mensagem no WhatsApp para clientes frequentes — é uma campanha ativa de migração, não algo que acontece sozinho.
O iFood não permite que você coloque links para canais externos dentro da plataforma deles. Mas você pode — e deve — comunicar seu canal próprio em todas as outras formas de contato: embalagem, redes sociais, WhatsApp. Eles não têm como controlar isso.